• Ana Paula Ostapenko

13 Artistas Drag Queen de MS que você precisa conhecer


A arte Drag Queen é uma das mais coloridas manifestações dentro do Universo LGBTQIA+ e por trás da maquiagem, figurinos e perucas maravilhosos existem artistas dedicados e cheios de história, do longo caminho até chegar aos palcos ou às redes sociais, artistas que inspiram outros e são literalmente salvos por seus alter egos, eu poderia escrever aqui sobre cada um de acordo com seus relatos, mas decidi deixar que elas falem, contem suas histórias respondendo duas perguntas: Qual a sua história e o que te inspira a ser um artista Drag Queen?

Ao final temos uma menção honrosa, uma singela homenagem a quem não está mais aqui brilhando nos palcos terrestres, mas com certeza seus shows devem ser lotados onde quer que esteja.

Com vocês, as rainhas:


Meriju Silva


Eu comecei a fazer drag a partir de um grupo de pesquisa de gênero e sexualidade, mas com a descoberta vi que eu gostaria de me profissionalizar nisso, assim resolvi fazer o curso de Artes Visuais na UFMS. Quando voltei a morar aqui no Mato Grosso do Sul, eu estava apenas iniciando nesse mundo e não tinha nenhum local ou contato para iniciar a fazer shows, assim, dei início junto a uma amiga ao evento Corrida das Drag, com o intuito de trazer novos rostos drags para a cena, e claro, me lançar também na própria cena!

Até hoje continuo fazendo o evento, ainda que não com o mesmo intuito ou a mesma proposta de que nasceu, até porque hoje já temos uma organização maior do que quando estávamos começando.

Acredito que o que me motiva a fazer drag aqui foi justamente tudo que eu conheci através da Corrida das Drag, nós temos artistas drags maravilhosos aqui na cidade, com sede de criar e de se apresentar. Em todas as edições sempre conseguimos nos deparar com shows e/ou propostas que mostraram o potencial artístico que nós temos!


Rafa Spears


Há 07 anos atrás, exatamente no dia 03 de setembro de 2013 foi quando 'nasci' como a drag Rafa Spears e fui abençoado por ter duas mães drag queens, Brenda Black (Lisandra Sampaio) e Lauanda Dumor (Diego Almeida), grandes artistas da cena Drag em Campo Grande - MS.

Em 2014 tive a honra de participar pela primeira vez da Parada da Cidadania e Orgulho LGBTQIA+ aqui, na capital e nesse mesmo ano foi onde tive a oportunidade de me apresentar na boate Queen, minha primeira boate. No ano seguinte, em 2015, continuei me apresentando e atuei como atração e hostess da boate Non Stop. No ano de 2016 foi quando decidi, pela primeira vez, participar do concurso Miss e Mister Mato Grosso do Sul, na categoria Miss Diversidade Plus Size ficando em segundo lugar e ganhei o título de Miss Simpatia. Em 2017 fui chamado para fazer uma participação nas gravações da série de TV Natasha em Dourados - MS e também tive a honra de ganhar os títulos de Miss Mato Grosso do Sul Diversidade Plus Size 2017 e Miss Popularidade. No ano seguinte, participei da Corrida das Drag e levei o título de "Miss Povão" e finalmente levando o título principal em 2019 como Pantanal Drag Superstar 2019. Em todos esses anos tive a chance de trabalhar nas diversas boates de Campo Grande como Daza, Sis Lounge e Pink Lemonade e outras, foram grandes oportunidades, participei de várias Paradas LGBTQIA+ e sou grato por tudo. Já em 2020, com o início da pandemia e os decretos de distanciamento foi o ano da reinvenção e fiz participações e shows via video chamada, tudo on-line. E esse ano sigo na luta, torcendo para tudo melhorar, fazendo tudo dentro do possível. E esse é um breve resumo da história dessa divindade trufada!


Salé Copacabana


Minha prática artística, minha carreira e trajetória, são manifestação absoluta da condição biológica de intersexualidade e transexualidade que eu vivo. Nascido em corpo biológico masculino e corpo hormonal e mitocondrial feminino, vivo desde minha infância a situação de embate, dualidade, e preconceito social e de gênero.

Esta busca constante por minha própria identidade e manifestação de gênero propiciou tudo que eu construí enquanto artista até hoje, seja na moda, na literatura, no teatro, na dança, no circo ou nas artes visuais. A ânsia por falar sobre minha condição, me auto perceber e entender, me levou para o caminho das artes, da expressão, da cultura e nela encontrei janelas e portas abertas para experimentar, propor, falar, dialogar, debater, e existir enquanto sujeito e artista.

A arte funcionou em mim. Sou intersexo e transexual; como disse, situação biológica que estabeleceu toda minha trajetória nas artes. Me identifico fluido, gay, preto, índio, latino, não binário, militante, e “interarter” (auto identificação para o lugar em que me reconheço na arte: no entre elas, no inter, no limiar entre uma e outra, em todas).

Essa mistura louca de feminino e masculino que consubstancia minha existência e criação, me leva para caminhos de inspiração e protagonismos que vieram antes de mim e também permeiam minha realidade atual.

Neste universo me encontrei com os Dizi Croquetes, Marsha P Johnson, Divine, Lola Batalhão, Laura de Vison, Ney Matogrosso, David Bowie, Greta Garbo, Andy Worhol, Jean Paul Goutier, Ru Paul Charles, Elke Maravilha, Chico Anysio, Frida Khalo e Lídia Baís. Drag salvou minha vida.

Então o que me inspira a fazer drag e ser drag antes de tudo é o desejo de existir, desejo que me levou pro drag e desejo que me matem no drag.


Rana Forato


Docente do Senac ,Maquiadora há 13 anos, faço drag há 4 anos e comecei por influência de um ex-aluno e um amigo.

De início eu não pretendia levar adiante, porém com o apoio das drags locais, por ter amado a experiência e pela representatividade de ser uma mulher cis na arte drag, acabei decidindo me dedicar mais, como minha mãe é artesã e eu cresci fazendo esses trabalhos , vi na drag uma forma de juntar todas as minhas habilidades.

Tive a honra de ser a primeira drag mulher cis a performar na parada da diversidade no ano de 2018.

Hoje faço parte do evento Corrida das Drag, como júri, mas também já fiz parte do júri dos concursos Drag Star e Drag Battle.

Também faço cursos e oficinas de Maquiagem.

Me inspira as drags locais, as que abriram as portas para essa arte no estado, também poder fazer história no estado com minha arte e principalmente poder inspirar outras pessoas e as mulheres a fazerem Drag.


Andrômeda Black


Jurada convidada Sobre(viver) Vogue Ball 2021.

Selecionada para Mostra Apollo Black de Arte e Cultura LGBTQIA+ 2021.

Participante, jurada e produção pela Corrida das Drag da 1ª à 7ª edição (2016-2021).

Parada da Cidadania LGBTQIA+ nos anos de 2020, 2019, 2018 e 2017.

Convidada MyCookies para o Dia do Orgulho LGBTQIA+ 2020 e Comercial em 2019.

3º lugar Miss MS Gay 2019 e ganhadora do Miss Gay Popularidade 2019.

Participação no Miss e Mister MS Trans 2019.

Participação como Convidada no Bloco Minhoqueens Carnaval SP 2019.

Jurada convidada Drag Star 2019.

Jurada convidada Drag Battle 2018.

Conheci drag desdo o inicio da minha carreira artística, lá nos anos 2000, via apresentações na antiga bistrot e depois de anos quando a arte voltou a tona com rupaul eu decidi investir por ser uma junção de várias artes que gosto de fazer.

Eu sou bastante interessado em fazer com que nosso estado ganhe visibilidade no país e essa é minha maior inspiração em continuar com minha arte, ajudar o estado a ser reconhecido como merece no país


Jhanninne Perry


Jefferson, 23 anos. A Jhannine foi criada em 2016, como um escape da realidade, uma forma de expressão da minha personalidade, sempre fui apaixonado pelas grandes divas do cinema e da música, e sempre tive desejo de estar no palco, como não sei cantar isso parecia impossível pra mim mas, quando conheci o Drag eu me apaixonei pelas possibilidades que a arte trazia. já participei de concursos como Drag Star e Corrida das Drags, fui campeã do título de Pantanal Superstar 2018.

Já fiz diversas apresentações nas casas noturnas de Campo grande, participei de saraus, eventos, sempre levando um pouco mais do que só maquiagem e coreografia.

Eu amo dublagem, eh o que mais me pego a treinar. Isso transmite mais realidade e emoção ao público, Que, no final é exatamente o que eu quero, me conectar com a audiência e contar uma história.

O que me inspira a ser uma drag sul matogrossense, é levar cultura, levar cor, orgulho e aceitação. Poder mostrar que mesmo num estado, de certa forma patriarcal, você pode ser quem e o que você quiser.


Samantha Blossom


Bom, quando me perguntam sobre minha história drag aqui no MS, várias histórias me vem à cabeça Comecei lá em 2017, após uma tentativa de suicídio, como uma forma de libertação, além da curiosidade de saber como era ser uma drag queen e tbm como uma brincadeira.

Conheci um amigo de um ex namorado meu, que se montava e acabei ficando curioso, então eu pedia à ele que me montasse.

Com o tempo fui aprendendo a me maquiar sozinho e a elaborar looks, participei de 2 concursos de drag em 2019, onde eu acabei me frustrando um pouco por ter perdido, no entanto, não desisti e no ano seguinte, em 2020, ganhei o Dragstar MS.

Já participei de alguns eventos, já fui contratado pra ser promoter em boate, já fiz shows e até participei da Parada da Diversidade aqui do MS.

No entanto, com o tempo, acabei ficando um pouco desmotivado, visto que aqui no MS é muito difícil ter um retorno positivo à todo o investimento que é ser drag queen, além disso, a pandemia também fez com que toda essa euforia diminuísse um pouco.

O que me inspirou e inspira até hoje quando me monto, é poder extravasar todas as minhas angústias por meio da arte, me sinto livre e feliz, vejo que algumas pessoas também adoram acompanhar meu trabalho e me enchem de elogios pela forma que sou receptivo e atencioso, isso me motiva a continuar até hoje, mesmo que a Samanta esteja um pouco sumida..

Por fim, sou grato a Samanta Blossom, por ela ter ajudado o Bruno, a se expressar melhor e ser quem ele é sem medo de julgamentos, acredito que ela foi a minha salvação!!!


Kitana Shiva


Kitana Shiva surgiu no dia 06 de fevereiro de 2018.

Participou da competição Drag Star de 2019 e ficou em 3 lugar + Melhor produção!

No mesmo ano competiu na Corrida das Drag, ficando em 2 lugar.

Participou da parada LGBTQIA+ de Campo Grande e Dourados.

Apresentou no Miss e Mister de 2019.

Participou de uma ação social na tribo indígena, comunidade Água bonita. Residente na boate Sis lounge/Pink lemonade, festa Caótica.

O que me inspira a ser Drag Queen em Mato Grosso do Sul é o desafio de inclusão da arte.

Quero ver Drags não só nas boates LGBT e sim em vários eventos públicos e estaduais!


Lauanda Dumor


A minha história começou em SP, comecei a me montar como brincadeira e após 8 ou 9 anos eu vim pra Campo Grande e aí surgiu a ideia de eu ser hostess de uma casa aqui da cidade e aí foi assim até 2018, são 6 anos de drag.

Trabalho desde 2009 na arte Drag Queen, comecei em uma simples brincadeira entre amigos e as coisas se tornaram de uma proporção profissional ate os dias de hoje. Participei dos festivais de inverno de Bonito e Festival das américas de Corumbá

Voluntariado em algumas ações do governo do estado / MS

Sou a primeira Miss Gay Plus size do estado do Ms e ficando em oitavo lugar no Miss Brasil Gay.

Fui uma das primeiras a fazer ações Drag Queen em uma aldeia indígena do estado.

Ativista que luta por respeito, direitos e valorização no mercado por ser uma artista DRAG.

Vice-presidente da ONG MESCLA.

O que inspira a ser Drag Queen é a força, alegria , bom humor que eu passo pelas pessoas, é a luta que travamos todos os dias pelo reconhecimento, eu amo ser Drag Queen, ser uma artista que leva alegria e entretenimento a todos os locais onde posso estar, essa força que mora dentro de mim há 6 anos.


Halley Star


Comecei como Drag Queen no ano de 2016, esporadicamente, na noite de Campo Grande (daí a ideia do nome Halley, em referência ao cometa que aparece apenas de tempos em tempos). Já em 2017 participei da terceira edição da Corrida das Drag, onde apresentei uma performance e desfilei na “Noite dos Segredos de Vitória”, depois desse período continuei me montando na noite nos momentos possíveis, já que tinha que conciliar com a rotina de trabalho.

No ano de 2020 participei da competição da Corrida das Drag 6, onde elaborei e mostrei mais da minha drag e com isso, conquistei o título de Pantanal Super Star 2020. Seguido do título, apareceram oportunidades de performances como no “Sarau das Minas”, organizado pela Casa Satine em homenagem ao dia da visibilidade Lésbica e da Parada LGBT do ano de 2020.

Mesmo com as dificuldades de apoio, com o preconceito por ser mulher e fazer Drag (algo que muitos homens gays ainda acham que é só deles), o amor por expressar essa Arte ainda me impulsiona a seguir em frente! Principalmente no nosso estado onde A Arte, a Moda, e o ser Feminino são tratados com desprezo, como futilidade e não como algo que faz parte do nosso dia a dia, sinto que ser Drag é necessário para romper essas ideias.


Rainbow Keating


Rainbow Keating é uma drag queen que nasceu em 2018, na final do concurso Corrida das Drags, do sonho da advogada e designer Isadora Haidar. Desde a infância a admiração pela arte drag era algo que crescia no seu coração, e então, a partir daí o sonho ganhou vida. Rainbow ganhou o terceiro lugar do concurso Drag Battle, do Sis Lounge, com um show sobre empoderamento que até hoje é rememorado na cena. Empoderamento e liberdade são os temas que a drag gosta de abordar na performance da sua arte.

O que te inspira a ser uma Drag Queen em Mato Grosso do Sul? Me inspira a luta por meio da arte, para que por meio da minha performance como Drag Queen eu possa sensibilizar as pessoas, e de alguma forma, tocá-las para um olhar diferente para a vida. Além disso, o empoderamento feminino na cena LGBTQIA+ da cidade me faz querer participar ativamente, trabalhando a sororidade e fortalecendo outras mulheres.


Compacta Baudelaire Vênus


A Compacta Baudelaire Vênus nasceu na corrida das Drags 4 que foi realizada no bar Resista no ano de 2018. Foi realizada uma apresentação em conjunto com a apresentadora e uma das idealizadoras da Corrida das Drags; Pamella Vênus, que é a mãe drag de Compacta, na época foi montado apenas a performance lipsync, um Pot-pourri das músicas " The Power of Good-bye" ( Madonna), "Wuthering Highs" (Kate Bush) e uma paródia de Aplause da Lady Gaga.

Após dois anos a Drag foi para o armário e só saiu em 2020 quando participou da competição Corrida das Drags 6. 2° lugar no primeiro desafio, 1° lugar no segundo desafio e eliminação no terceiro desafio.

Desde então a Drag existe no território do Instagram @canalcompacty, esse Instagram originalmente era apenas dedicado à divulgação de um Canal no Youtube chamado Canal Compacty (canal sobre arte e cultura) que é uma outra atividade da pessoa por trás da Drag Compacta. Patrícia de Souza Porto Gonçalves de 28 anos, campo-grandense, graduada em Artes Visuais (UFMS), Especialista em História (Claretiano), professora de Arte da Rede Municipal de Ensino.

O que me inspira em ser uma Drag Queen em MS é a própria cena regional, muitas Drags maravilhosas, a cena daqui é tão incrível que dá muita vontade de fazer parte, além de ser uma forma de resistência, e uma ótima atividade artística, é instigante e desafiador.


Apollo Black


A menção Honrosa vai para Apollo Black,a Drag que inspirou muitas outras e mostrou sua força na Mostra em sua homenagem, com performances dignas de lágrimas e orgulho.

Inspirada na androginia e nas muitas drag queens da época, em 2008 Apollo Black surgiu como um sopro de liberdade e expressão artística de Eder Henrique Coenga. Apollo esteve presente na cena até que decidiu parar.

Foi a chama drag atual que fez Eder decidir voltar em 2017.

Seu talento a levou à vitória do Concurso Drag Star 2018, colocando-a no panteão de queens legendárias que venceram o concurso até lá. Já dividiu palco com vários artistas da cena drag nacional, sendo uma delas Ikaro Kadoshi. Também performou sua arte pelo estado, fez performances conjuntas com várias outras artistas drag e fixou seu nome na história da cidade.

A Drag sempre dizia que o artista deve se elevar além do seu limite e explorar todas as vertentes de sua persona, ele acreditava na arte de cada uma e se sentia feliz por fazer parte.

Apollo Black foi assassinado na noite de 20 de dezembro de 2019 e até hoje o crime não foi elucidado.


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