• Ana Paula Ostapenko

4 filmes e 1 série feitos em Mato Grosso do Sul

Muita gente pode achar que Mato Grosso do Sul não tem muito a mostrar ao Brasil além do Pantanal e Bonito, aí é que você se engana, aqui no nosso estado diretores de longas metragens viram um grande potencial pra dar vida aos seus roteiros, por isso listamos 4 filmes e uma séria produzidos em terras sul-mato-grossenses.

Terra Vermelha

O filme aborda temas complexos e profundos que atingem os indígenas da etnia Guarani-kaiowá, na região de Dourados. O suicídio, que entre esse povo está entre um dos mais altos do mundo, a luta por terras, o uso do indígena como mão-de-obra barata e como atração turística, além da integração forçada ao mundo do “povo da mercadoria”, como batizou Davi Kopenawa, são alguns dos pontos pelo qual o filme permeia.

O filme retrata também o conflito iniciado quando decidem reivindicar suas terras e de seus ancestrais, começando um grande conflito com os fazendeiros. Vistos como “invasores” passam a viver na beira da estrada, na miséria, sem ter o que caçar e constantemente ameaçados de morte.

O sangue indígena jorra sobre a terra vermelha.


Cabeça a Prêmio

É o filme de estreia na direção do ator Ricca, que atuou já atuara com Alice Braga em A Via Láctea.

As filmagens, que duraram dois meses, se realizaram em Bonito, Corumbá, Campo Grande, Sidrolândia e Paulínia (no Brasil), além da Bolívia.

O roteiro, do próprio diretor e de Felipe Braga, baseou-se no romance homônimo de Marçal Aquino.

A atriz Alice Braga declarou que considera Cabeça a Prêmio um dos filmes mais "viscerais" de sua carreira.

a trama gira em torno de Miro (Fúlvio Stefanini) e Abílio (Otávio Muller) que são irmãos e prósperos pecuaristas do centro-oeste brasileiro. Simultaneamente, controlam uma pequena rede de negócios ilícitos. Miro possui forte ligação afetiva com sua família, em especial a esposa Jussara (Ana Braga) e a filha Elaine (Alice Braga). Abílio discorda do modo como o irmão conduz seus negócios e acompanha, de longe, o envolvimento da sobrinha com o piloto Dênis (Daniel Hendler). A revelação deste romance e as investidas de Abílio contra Dênis mudam completamente o panorama familiar.

Não Devore meu Coração

Joca, um menino brasileiro de 13 anos, e Basano La Tatuada, uma menina indígena paraguaya, vivem na fronteira entre os dois países, marcada pelas águas do Rio Apa. Joca está apaixonado por Basano e quer fazer de tudo para conquistar seu amor. Mesmo que pra isso ele tenha que enfrentar as violentas memórias da Guerra do Paraguay que assolou a região e os segredos de seu irmão mais velho, Fernando, um misterioso agroboy envolvido com uma perigosa gangue de motociclistas da região. Roteiro inspirado em contos de Joca Reiners Terron.

O filme foi gravado em Bela Vista, fronteira do Brasil com o Paraguai.


Em Nome da Lei

Talvez o mais famoso dessa lista, filme produzido em Dourados e Ponta Porã, retrata a vida de um dos juízes mais famosos que se tem conhecimento por estas bandas (corre aqui Sergio Moro), que lutava contra o crime organizado e tráfico de drogas naquela região.

Vitor (Mateus Solano) é um jovem juiz federal recém-chegado na cidade de Fronteira, disposto a desmontar um esquema de contrabando e tráfico de drogas na região. Para prender Gomez (Chico Diaz), ele vai contar com a ajuda da procuradora Alice (Paolla Oliveira), por quem se apaixona, e da equipe do policial federal Elton (Eduardo Galvão).


Madalena

"Madalena" foi anunciado como o único filme brasileiro para a competição oficial de longa-metragem do Festival de Cinema de Roterdã 2021. Ficção marca a estreia do diretor mato-grossense Madiano Marcheti em longas-metragens.

“Madalena” põe a diversidade como resistência, que tenta superar o medo e transformá-lo em afeto que o mundo necessita. Um longa-metragem de suspense, com maioria dos atores sul-mato-grossenses e que foi gravado em Dourados.

O filme tem como ponto de partida o corpo de Madalena, encontrado em uma plantação de soja. Na sequência a trama acompanha a história de três jovens – Luziane (Natália Mazarim), Bianca (Pamella Yule) e Cristiano (Rafael de Bona) – que vivem contextos diferentes em uma mesma cidade. Embora não se conheçam, o espírito de Madalena que esvoaça sobre o local torna-se um elo entre eles. O longa denuncia a violência constante do país que mais mata a população LGBTQIA+.


Guateka

Com cinco episódios, Guateka narra o cotidiano de quatro jovens indígenas da etnia guarani-kaiowá que formam um grupo de rap na aldeia Jaguapiru, no interior da Reserva Indígena de Dourados –que é formada também pela aldeia Bororó, sendo a maior reserva indígena urbana do Brasil e também um cenário de pobreza e violência.

Por meio da música, o grupo Brô MC’s usa as rimas para expor a realidade da aldeia, preconceitos e conflitos por sua terra. Formado por quatro integrantes, o grupo compõe e canta em guarani.

A série narra o início da carreira de Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto, e como eles levam suas músicas para o mundo conhecer mais sobre a reserva.

Dirigida por Thiago Rotta, Guateka foi contemplada com recursos do Prodav 10 (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro), da Ancine (Agência Nacional do Cinema).





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