• Ana Paula Ostapenko

CIA DE TEATRO NU ESCURO CHEGA À CAPITAL COM TRANSMISSÃO DE DOIS ESPETÁCULOS


Com 25 anos de estrada, a companhia goiana Nu Escuro chega a Campo Grande de maneira virtual, transmitindo, na próxima sexta-feira (12), e no sábado (13) seu mais recente projeto: Dentro do Centro, uma experiência de circulação online de espetáculos teatrais. Em parceria com a cia campo-grandense Flor e Espinho, serão transmitidos os espetáculos “Barbas” e “Gato Negro”, uma montagem dirigida por Izabela Nascente, que será seguida de um bate-papo ao vivo onde a diretora e o dramaturgo Hélio Fróes, da Nu Escuro, recebem Fernando Ávila da Rosa dos Ventos. O público pode assistir as peças pelo canal do YouTube da cia Flor e Espinho.

Barbas” é a mais recente criação da cia goiana, um trabalho com inspirações autorais da artista pesquisadora Izabela Nascente, em que ela relaciona suas histórias familiares com a história de Julia Pastrana, com intuito de provocar assim, um diálogo com o público sobre doenças, morte e afetos. A direção da peça será feita por Izabela, que é artista integrante da Nu Escuro desde 1999 e que há 15 anos vem direcionando seus estudos para o teatro de animação, resultando na direção de: Envelopes e Plural, dois importantes espetáculos que foram produzidos e atuados pela Cia de teatro Nu Escuro.

O enredo ocorre em duas dimensões: Um no plano realístico em que Marabel se relaciona com os familiares e com a comunidade de sua cidade, e o outro em uma dimensão da memória ou do inconsciente, que é o universo de Julia Pastrana. Nele, os elementos principais da chamada primeira dimensão, as cenas serão estruturadas com atores, máscaras, bonecos de balcão e de manipulação direta. Nela a estética dos bonecos será mais realista e a paleta em cores coloridas com uma pequena camada de amarelo, remetendo a revelação das fotos dos anos 80.

A proposta da direção de arte é misturar o teatro de animação com fotografia, e esta opção se dá por acreditar que a memória principalmente é acionada por objetos e nada mais eficaz para ativá-la, mantê-la e transmiti-la que o uso da fotografia. Dentro de uma perspectiva de conservar a memória de pessoas que já faleceram e que em vida passaram por experiências que são importantes de serem mencionadas, utilizaremos diretamente suas fotos, para que possamos pontuar de quem de fato estamos falando.

Já “Gato Negro” narra uma história ocorrida em uma fazenda do interior de Goiás, no início do século XX. A trama, que acaba de ganhar nova montagem especialmente para o projeto de circulação, estreia em Campo Grande e envolve três irmãs que esperam por Samuel Godói dos Santos, que prometeu voltar e se casar com quem seu coração sentisse mais falta. Na data marcada para o retorno, elas o aguardam com festa para o casamento, mas quem aparece é uma criatura fantástica, meio homem e meio bicho, instalando relações adversas, próprias das Humanidades.

A base da pesquisa para o Gato Negro remete ao hibridismo cultural da América Latina, onde o barroco assentou-se em definitivo e foi apropriado pelo filho de brancos europeus, de negros africanos e de indígenas nativos, originando o elemento real maravilhoso. Também conhecido por realismo mágico, representa e significa, em essência, o inusitado, o assombroso, o inaudito, o exótico ou aquilo com que se estabelece uma relação radical de alteridade. É inspirado nesse contexto cultural e estético que Gato Negro foi concebido, trazendo à tona uma gama de emoções provocadas pela espera, tangenciando a frustração, o medo, a angústia, a ilusão, o desejo de mudança também. Os excessos que caracterizam essa linguagem serão sublinhados no espetáculo por um humor ácido, mas sempre com um olhar crítico. É o grotesco tratado com seriedade.

O projeto Dentro do Centro é uma realização através do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, que levará uma programação gratuita com 13 transmissões de espetáculos, além de 4 oficinas. A circulação online começou em Presidente Prudente e já passou por Uberlândia (MG), Palmas (TO), Gurupi (TO). Após sua realização em Campo Grande (MS), Itajaí (SC), Alagoinhas (BA) e Salvador (BA). Além de Plural, a Nu Escuro apresentará sua mais nova montagem, Barbas, além dos espetáculos O cabra que matou as cabras e Gato Negro.

Sobre a Cia Nu Escuro

A Cia de Teatro Nu Escuro é um grupo de atores-encenadores que trabalha coletivamente, de forma horizontal desde 1996, tendo montado 16 espetáculos e realizado inúmeras oficinas de formação profissional e de público em diversos estados brasileiros e também no exterior, consolidando-se como uma das principais companhias de teatro do Centro-Oeste.

O trabalho contínuo, a trajetória de pesquisas, os investimentos em novas linguagens e a cumplicidade com o público vem rendendo importantes frutos como a Caravana Funarte (2004); Prêmio Agepel de Teatro (2005 e 06); Destaque Cultural do Ano (2005) e Medalha de Mérito Cultural (2010) pelo Conselho Estadual de Cultura de Goiás; Procultura/ Ministério da Cultura (2010); Prêmio Funarte Myriam Muniz (2006, 10 e 11); Prêmio Artes Cênicas na Rua (2009, 11, 12 e 13); Palco Giratório/ Sesc (2015), patrocínio Petrobras entre os anos 2013 à 2016 e Prémio Juriti, pelo Conselho Municipal de Cultura de Goiânia (2019).

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