• Ana Paula Ostapenko

DOVALLE CANTA O AMOR E O VÍCIO EM “O ÚLTIMO CIGARRO”


O primeiro single de DOVALLE chega como cartão de visitas de sua potência artística e sua qualidade como intérprete. Em “O Último Cigarro”, o artista explora dramas amorosos para falar de vícios e filosofia. A canção, escrita há um bom tempo, sofreu diversos ajustes até encontrar identidade em um brega contemporâneo cheio de energia e brasilidade.


As mudanças são parte do processo de amadurecimento de DOVALLE, que iniciou sua relação com a música na adolescência e aprendeu seus primeiros acordes com o seresteiro João Caroço, seu tio e primeiro mestre. Tocando em bandas de garagem, circulando pelos shows, bares e saraus de Campo Grande, começa a desenvolver suas primeiras canções.


Mais tarde realizou pesquisas na música experimental, com o projeto Colônia, um compilado de análises poéticas sobre a temática da luta antimanicomial. No ano de 2019 o cantor se relaciona novamente com sonoridades e referências da música brasileira para dar vazão à estética romântica. A aproximação com o brega constrói agora essa nova fase.


Em ”O Último Cigarro”, DOVALLE convida o espectador a uma imersão em feridas muitas vezes inevitáveis. O novo tom de sua música, um brega dançante com referências ao movimento iê-iê-iê, não esconde as dores das paixões e os traumas tão comuns em nossa sociedade. Os dramas da noite das ruas, o gingado da saudade, o gemido lembrando que a vida vale a pena.


A canção não tem a pretensão de concluir uma história, mas entrega muita emoção e pontos de reflexão. O trompete marcando o momento mais empolgante da faixa não estava no arranjo original. Após as voltas de DOVALLE em busca de sua identidade, esboça enfim a ideia mais próxima da finalizada agora.


Em parceria com o produtor musical Julio Queiroz, grava a primeira versão de “O Último Cigarro” dois anos atrás, que não seria lançada até o reencontro dos dois em 2021, gerando uma nova versão, mais robusta, distribuída com clipe pelo selo Mandioca Records. A peça audiovisual tem direção de Gabriel Ribeiro e conta a história de duas personagens (interpretadas por Débora Simões e DOVALLE) sofrendo o término de um relacionamento amoroso. E entre lembranças, danças e lágrimas, a interpretação visceral de DOVALLE garante o tom extasiante à produção.


No clipe, o protagonista lamenta a perda enquanto corre sem rumo pela cidade. O visual da cidade morena entre o pôr-do-sol e o anoitecer entrega uma bela fotografia ao filme, que retrata a luz como um importante elemento de enredo, ajudando a dar sentido às diferentes emoções ao longo da música. O trabalho de Gabriel Ribeiro eleva o patamar da obra de DOVALLE.


O single “O Último Cigarro” está disponível com clipe no YouTube e em todas as plataformas digitais a partir desta sexta (09). A produção musical é de Julio Queiroz, Direção de Gabriel Ribeiro, Edição de Gabriel Ribeiro e Gabriela Lima, Roteiro de DOVALLE e Gabriel Ribeiro, Elenco com Débora Simões e DOVALLE, Direção de Arte de Francisco Joaquim, Direção de Criação de Aly Ladislau e Fernando Henryque, Fotos de Tui Boaventura, Making of de Camila Vilar e Paula Cayres, e Gravação no Estúdio 2 na Paz com DOVALLE (voz e violão), Julio Queiroz (Guitarra, Baixo e Synths), Everton Nascimento (Trompete), Alessandro Mônaco (Percussão) e Marcus Loyola (Bateria) e Lançamento de Mandioca Records.



SOBRE DOVALLE



DOVALLE escreve sobre a tradução do suor das ideias, a música das horas mais barulhentas, tocada com o silêncio dos dias. Compõe o mundo real, o que tem de humano no humano, sedução, asco, o desprezível e o sublime, a matéria da prova da saudade. Busca levar a arte como prática diária de vida, expressão, acima de tudo, a miúda essência através do espetáculo. Conectar pessoas a mundos, conectar mundos a pessoas.


Nascido em Tangará da Serra (MT), criado em Ribas do Rio Pardo (MS), o artista sempre enxergou nas suas raízes fonte de inspiração para fazer arte e contar suas histórias e as que observava nos diversos lugares por onde transitava. Ainda adolescente, aprendeu violão com João Caroço, seu tio, boêmio interiorano.


Mais tarde, depois de se conectar com a música e gêneros musicais variados, um longo hiato, uma passagem na música experimental, volta aos poucos trazendo as raízes de suas influências, bebendo dos ritmos brasileiros, do brega à lambada, os choros e sambas e os ensinamentos de Mestre Pequeno na Capoeira Angola. DOVALLE aprendeu a escutar.


Filho de um caminhoneiro e uma costureira, aprendeu sobre o amor através da saudade e do som dos pedais de costura de uma Singer. Constrói suas sonoridades acompanhado de amor, romance, vícios e dores contemporâneas, com temperos de interior, aqueles contidos nas obras cinematográficas de Marcelo Gomes.


Em 2021, cria o espetáculo "ENTRE VÍCIOS E BOLEROS”, com composições autorais criadas ao longo da construção de sua carreira. Com novas roupagens e clima eletrizante, sua apresentação traz a lambada, o bolero, o brega, a nova MPB e o brega funk. Uma mistura dançante e apaixonante.


Sua banda, a Lambada Mecânica, une a programação eletrônica de sintetizadores com elementos acústicos das percussões e dos metais. Os arranjos produzidos por Julio Queiroz partem da voz melancólica e romântica de DOVALLE para se encontrarem com os timbres festivos do instrumental, unindo o clima dos bailes com festivais de música alternativa, com referências em artistas como Liniker, Daniel Groove, Céu, Johnny Hooker, Duda Beat, Tetê Espíndola e Os Tincoãs.


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