• Ana Paula Ostapenko

Festival da Carne apresenta história do churrasco e traz assadores com diferentes expertises


A mistura das diversas origens transformou o churrasco gaúcho em Mato Grosso do Sul. A mandioca amarela que serve de guarnição é oriunda das tradições indígenas, que já habitavam o centro-oeste brasileiro, e o shoyu da influência japonesa, com a vinda dos imigrantes em 1914 para a construção da linha férrea na capital Campo Grande e a carne veio com os gaúchos, quando os primeiros imigrantes chegaram no estado, no final do século 18. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 43 mil gaúchos vivem em Mato Grosso do Sul.

“O churrasco compõe parte importante da cultura campo-grandense que tem muita influência dos gaúchos. O Festival da Carne é a prova de que o churrasco vai além de um simples prato, ele representa a união dos amigos, o domingo em família, o momento de descontração e por isso, a Sectur participa deste grande evento como uma das co-realizadoras”, destaca o secretário Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande, Max Freitas.

A Sectur é co-realizadora do Festival da Carne do MS que acontece entre os dias 8 e 10 de outubro, na Esplanada Ferroviária em Campo Grande (MS) e, conforme Max Freitas, o evento é a representação da cultura e gastronomia da região, o que deve fomentar o turismo cultural e gastronômico da capital.

Para Márcia Marinho, consultora de marketing, cultura e gastronomia de MS e realizadora do Festival da Carne do MS, a história sul-mato-grossense tornou o churrasco uma tradição na vida do sul-mato-grossense. “Essa cultura e a forma ímpar de fazer churrasco em MS, além da qualidade da carne em MS, nos deu a ideia de promover o Festival da Carne que tem como objetivo fomentar o churrasco e apresentá-lo como protagonista da produção econômica, gastronômica e cultural do estado”, conta a realizadora do evento.

Mato Grosso do Sul é o terceiro maior produtor de gado e quinto maior exportador de carnes do país, conforme a Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul – Famasul, e conta com um rebanho bovino de 19 milhões de cabeças. “Mais que quantidade, a qualidade da carne nos garante um churrasco de qualidade”, explica a organizadora do evento.

No Brasil, dados apontam que o churrasco surgiu no século 17, nos rincões do Rio Grande do Sul, quando os pampas eram disputados por castelhanos e paulistas. “Os vaqueiros matavam os bois, cortavam o pedaço mais fácil e assavam, por inteiro, num buraco aberto no chão”, conta Márcia. “Com essa quantidade de carne muitos homens se alimentavam e, desde essa época, o churrasco passou a ser para um grupo de pessoas”, completa.

Conforme a Embrapa, o Brasil é um dos mais importantes produtores de carne bovina do mundo. Os dados da Associação Brasileira da Indústria da Carne – Abiec – calculam que, atualmente, o Brasil produz 10,32 milhões de toneladas de carne bovina, 26,07% são negociados para dezenas de países em todo o mundo. “A reunião de diversos critérios como qualidade, produção e história é impossível não termos um produto de excelência. Nesse evento, a ideia não é apenas degustar a carne, mas mostrar todo o processo que este produto passou para termos um churrasco de qualidade”, explica.

Assadores

O Festival da Carne vai reunir diversos assadores renomados, como Brunão BBQ (@brunaobbq), que será curador do evento e embaixador da cervejaria Colorado, das lojas Swift, ligada ao grupo JBS. Brunão é curador do Churrasco do Teló e membro da Sociedade do Churrasco da Tramontina e estará no Festival para organizar as carnes que serão preparadas, as quantidades e selecionar os assadores. Além de Brunão BBQ, outros dez assadores estarão nas estações do Festival.

A expectativa é reunir 700 pessoas por dia, entre criadores, produtores rurais, consultores, empresários, consumidores e público em geral. Além disso, o festival promete fomentar e fortalecer o setor do turismo de eventos, que durante a pandemia foi muito prejudicado. “Dentro desse segmento, os festivais gastronômicos são os que mais se destacam por trazerem um número mais amplo de pessoas e, ainda, por valorizar a cultura regional”, explica Márcia.

Durante o festival, os visitantes poderão comprar alimentos e bebidas no local. Reunindo setores da produção e reprodução animal, a organização destaca que seguirá todos os protocolos de biossegurança. O evento é uma realização de Beber e Comer e Campo Grande Destination, com o patrocínio da Rotele, 067 Vinhos, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar/MS), Hambugreria, Steak Store / VPJ, Vermelho Beef, Boi de Capim, Faroka, La Parrilla, Distribuidora Raiz, Bella Bufalla, Boibras e Poro Food. O evento conta com o apoio do Governo de MS por meio da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) e da FundTur (Fundação de Turismo), da Prefeitura de Campo Grande, através da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande), Sebrae/MS e Embrapa.

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