• Jander Gomez

Vamos indo que no caminho explico, pode ser?

Atualizado: 24 de mar.





A experiência literária é em grande parte uma experiência intuitiva, quase de adivinhação, sem relações necessárias com a vida prática. No contexto autoral, a literatura apresenta dois estados, o prático e o contemplativo, afinal tudo é literatura, desde a bula de remédio a Liev Tolstói, Machado de Assis ou Itamar Vieira Junior. Claramente os homens práticos vivem com praticidade. Os contemplativos constroem a vida que podem viver ou não. Manoel de Barros foi exímio escritor contemplativo e imagético. Paulo Coelho correu o mundo e detalhou-o com praticidade e magia. Quero dizer nesse sentido que, nossa saga pela necessidade de contar o que vemos em prosa e poema tornou o Brasil, um dos detentores do título de país que mais publica livros no mundo e Mato Grosso do Sul um Estado poético.


Cinthia Kriemler na coletânea Novena para pecar em paz (Ed.Penalux.2017), tem uma frase muito emblemática que é mais ou menos assim: "minha maior doença é ter nascido mulher, mas não quero a cura”. Parafraseando a escritora brasiliense eu diria que “o maior vício do leitor é ter mais livros que se dê conta de ler. Mas não desejamos ficar sóbrios, sermos limpos” e para os escritores, a maior “doença” é desejar contar sempre uma nova história mesmo que isso venha a requerer um enorme desgaste emocional e físico.


Woody Allen, o rei da comédia romântica, disse que “quer chegar a realidade” com seus filmes. Graciliano Ramos revisava os textos freneticamente. Fleubert demorava semanas para escrever uma frase. Clarice Lispector não relia o que escrevia. E, Italo Calvino afirma que ler clássicos é sempre uma experiência de releitura e de descoberta e redescobertas.

René Wellek, afirmou que “a natureza de um objeto decorre do seu uso”, ou seja, ele é o que foi pensado para fazer. Compreendo que tal visão remete a racionalidade que a literatura – e em um contexto mais amplo, as artes – têm se servido ao longo da história como um aporte, apoio para a sobrevivência humana – dados afirmam que foram as artes que nos privaram da loucura dos nossos dias sob a ameaça da COVID-19 – ou seja, a literatura é um conjunto do prazer e da utilidade, onde o prazer está não pela obrigação, mas pelo desejo de se estar ali ou fazer aquilo. Em outras palavras é fazer o que se gosta por querer. René Wellek ainda diz que a função da literatura, é fornecer uma explanação sobre o as dimensões sociais e humanas levando sempre em consideração que "sua função primordial e principal é a fidelidade à sua própria natureza."


A literatura, por ser uma base histórica e pessoal, traz elementos subjetivos do autor e da narrativa que ele apresenta. Eu diria que, a ficção é inserida para moldar fatos ou versões de uma história e dessa forma apresentá-la da maneira mais convincente e conveniente a um público e, reconheço assim a genialidade de Woody Allen, Graciliano Ramos e outros tantos, no desejo de ser ficcional o suficiente para se tornar real. Como diria Daniel Defoe “quem se rende a dores tendo a libertação em vista?”


Certamente – e é certo que isso ocorrerá – terei que rever muitos conceitos sobre literatura nos próximos dias para que eu possa de certa forma seguir com esta coluna. Mas o que é a literatura sem a provocação? A literatura não é, por si só, um ato de ofensa a aqueles que não leem e àqueles que desejam que os outros não leiam? Quase sempre quem não lê diz assim para quem lê “pra que você tá lendo isso”, ou assim “não vou perder tempo com isso”. E não seria por meio do letramento que é concedido a identificação do Ser e pela literatura, cinema, artes plásticas, música, oralidades, artesanato, a construção cultural do indivíduo? Logo, quero construir com vocês pensamentos sobre a literatura Sul-Mato-grossense e seu regionalismo exacerbado; a literatura nacional, apresentando pontos de vistas, opiniões e claro, ouvir vocês. Ouvir será essencial.


Me chamo Jander Gomez, sou escritor e produtor cultural. Atualmente tenho quatro livros publicados. e estou graduando em Letras/Espanhol na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul; resido em Terenos. Aqui, nos veremos semanalmente, quase sempre no mesmo horário.

Desejam saber mais sobre mim?

Abaixo estão as minhas redes sociais e formas de contato.

Fontes citadas:

René Wellek - Teoria LiterÁria: Abordagens Históricas e Tendências Contemporâneas

Cinthia Kriemler - Novena para pecar em paz

Eric Lax - Conversa com Wood Allen

Gabriel Chalita – Pedagogia do amor

Sites para conhecer a rotina de escritores:

https://comoeuescrevo.com/

https://2miltoquesdotcom.wordpress.com/


contatojandergomez@gmail.com

www.jandergomez.com



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